Risco fiscal piora câmbio, inflação e obriga BC a subir juros ainda mais

14/09/2021

A vida já não está fácil para o Banco Central, o braço do governo cuja função é dosar os juros para manter a inflação controlada.

A inflação não para de subir e bater recordes. Em agosto, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 0,9% – o maior para o mês em 21 anos – e acumulou 9,7% em 12 meses. Com isso, o BC está tendo que correr atrás com os juros: a Selic, a taxa básica da economia, já foi esticada da mínima de 2%, no começo do ano, para 5,25%, agora.

Até o fim do ano, analistas já calculam que a taxa de juros deva continuar subindo até chegar aos 8% ou 8,5% – o que será um banho de água congelante sobre um crescimento econômico que já está tendo dificuldades de engrenar.

Para muitos economistas, os juros altos já começam a embutir o preço da sobrecarga deixada nas costas do Banco Central: enquanto crise política colabora para piorar as contas públicas e o câmbio, estaria a sobrar para o BC a tarefa de tentar equilibrar a economia sozinho, só com o recurso do aumento de juros.

O resultado será uma Selic ainda mais alta do que poderia estar e um Produto Interno Bruto (PIB), portanto, ainda mais fraco no ano que vem.

“A tendência é que a economia volte para sua mediocridade [a partir de 2022], a um potencial de crescimento muito baixo, da ordem de 2%”, disse o economista e ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega, em entrevista à CNN.

Fonte: CNN Brasil